A primeira mesa do III Simpósio Ibérico de Radioncologia foi dedicada a um procedimento terapêutico que ainda não está disseminado em todos os serviços de oncologia a nível nacional. Falamos da braquiterapia, neste caso aplicada ao tratamento do cancro da próstata.
Moderada por Daniela Pereira, enfermeira do IPO do Porto, esta sessão contou com a participação de Joana Oliveira, enfermeira do Serviço de Radioterapia do IPO do Porto, Rodrigo Nunes, enfermeiro do Serviço de Radioterapia do IPO de Coimbra, e Pilar Fernandez Lopez, enfermeira da Unidade de Braquiterapia do Hospital Duran Reynals.
Face às desigualdades no acesso a este procedimento, a moderadora da sessão destacou a necessidade de se estabelecerem protocolos de articulação nesta área.
Joana Oliveira começou por contextualizar o cancro da próstata em termos de incidência, taxas de sobrevida, e atuais guidelines de tratamento, para depois explicar detalhadamente em que consiste a braquiterapia.
“Trata-se de um método de tratamento de radioterapia em que se introduzem fontes radioativas no interior do tumor. Há dois tipos de implantes – temporários e permanentes – e duas dosagens (alta taxa de dose e baixa taxa de dose)”, explicou a enfermeira do IPO do Porto, adiantando que ambos implicam internamento hospitalar e cirurgia com duração de cerca de 2 horas.
Em resumo, Joana Oliveira descreveu a braquiterapia como uma “terapêutica eficaz (com taxas de cura elevadas), de baixa toxicidade (efeitos secundários mínimos), alta precisão, com tempos de tratamento curto e custo-eficácia favorável”.
De seguida, a experiência da Consulta Enfermagem em Braquiterapia prostática do IPO de Coimbra foi partilhada por Rodrigo Nunes, que salientou o papel do enfermeiro na fase de planeamento do procedimento, nomeadamente no acolhimento e agendamento do tratamento e em grande parte da informação ao doente.
“Na fase inicial, é fundamental explicarmos ao doente, numa linguagem acessível, em que é que consiste o tratamento, bem como antecipar os possíveis efeitos secundários e desmistificar receios e ideias erróneas face ao mesmo”, explicou o enfermeiro, acrescentando a importância de haver um enfermeiro de referência. “Tentamos sempre que o enfermeiro que faz a consulta pré-tratamento esteja presente no bloco no momento da intervenção”, salientou.
Por sua vez, a enfermeira Pilar Fernandez Lopez partilhou a experiência do Institut Català de Oncologia, em termos de Consulta de Enfermagem em Braquiterapia prostática, salientando o papel do enfermeiro radioterápico e a relevância das consultas telefónicas, como complementares às presenciais.
A importância de uma abordagem que inclua a Oncosexologia foi destacado por todos os palestrantes, na medida em que a disfunção sexual é um dos efeitos adversos mais frequentes na braquiterapia e um dos mais valorizados pelo doente.