Uniformizar a avaliação da radiodermite é uma necessidade premente na prática da enfermagem oncológica, com o objetivo último de melhorar a qualidade da prestação de cuidados e ter um impacto positivo na qualidade de vida dos doentes. Falar a mesma linguagem – e fazer um registo também ele uniformizado dos dados – é igualmente imprescindível no sentido de avançar para investigação nesta área.
Foi com esta premissa que se realizou a última mesa do III Simpósio Ibérico de Radioncologia, moderada por Albertina Santos, enfermeira do Hospital Luz Lisboa. A primeira apresentação, intitulada “Olhar com evidência”, incidiu sobre a avaliação objetiva como alternativa à avaliação visual (escalas) e coube ao enfermeiro Jorge Buedo Garcia, do Centro de Especialidades Juan Llorens, Conselleria de Sanidad (Generalitat Valenciana).
De acordo com o enfermeiro espanhol, “não existe um método de avaliação perfeito, nem subjetivo nem objetivo” e “as escalas de avaliação são uma ferramenta diária válida, mas dependente do observador”. É preciso ter em conta que “o fototipo da pele pode alterar a avaliação da escala” e, na avaliação, comparar sempre a pele irradiada com a pele não irradiada”.
Segundo Juan Llorens, “a vantagem da avaliação por meio de dispositivos é que estes registam alterações mensuráveis independentemente do observador, isto é, são obtidos valores numéricos”. Como desvantagem, “a avaliação objetiva requer uma análise subsequente dos resultados, pelo que não é muito rápida”, referiu.
A tradução, adaptação cultural e validação da escala de avaliação de radiodermite (RTOG) para o contexto português foi o tema abordado por Marisa Matos, enfermeira de Radioterapia do IPO do Porto. Esta é uma escala que contempla atualmente (desde revisão de 2018) 6 graus. Com recurso a casos práticos, a enfermeira descreveu estes graus e a aplicação na prática desta escala.
Também as enfermeiras Sylvie Gomes e Sandra Russo, dos serviços de Radioterapia do IPO de Coimbra e do IPO de Lisboa, respetivamente, se apoiaram em casos clínicos para descrever a forma de avaliar a radiodermite, avaliação essa que deve basear-se em três aspetos: observação, relato do doente e contexto.
De acordo com estas profissionais, “diminuir a subjetividade neste contexto só se consegue com formação e com experiência e mesmo assim é difícil obter 100% de consenso”. Ainda assim, são perentórias: “Os enfermeiros jamais serão substituídos pela inteligência artificial!”.