Gamificação em Oncologia: Que impacto em termos de outcomes?

Os enfermeiros Carla Fernandes e Bruno Magalhães, professores da Escola Superior de Enfermagem (ESSE) do Porto e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), respetivamente, foram os moderadores de uma sessão dedicada à discussão da utilização de inovação, mais concretamente de gamificação e realidade virtual, na abordagem do doente oncológico.

Isabel Alves, enfermeira do IPO do Porto, apresentou os resultados de um estudo realizado na instituição sobre uso de gamificação na reabilitação do doente oncológico submetido a cirurgia abdominal major. Os resultados do grupo de intervenção versus grupo de controlo mostram que a utilização desta tecnologia – exercício físico através de videojogos numa consola Wii – permitiu a redução da dor, fadiga, ansiedade e depressão, um aumento da função e do equilíbrio e uma melhoria da qualidade de vida.

A palestrante partilhou o feedback direto dos doentes relativamente ao uso da gamificação, frases como: “Ficava divertida”, “Acelerou a minha mobilidade e melhorou o meu estado de espírito”, “Permitiu reduzir o tempo do meu internamento” ou “Foi muito benéfico para a minha recuperação”. Feedback esse que “nenhuma escala nos dá”, salientou.

A utilização da realidade virtual em procedimentos clínicos em Oncologia foi o tema trazido a Espinho pela enfermeira do IPO de Lisboa, Liliana Vasconcelos. De acordo com a palestrante, a realidade virtual tem indicações específicas em Oncologia, desde a gestão da dor e da ansiedade ao apoio e reabilitação.

“É um campo emergente ao nível de inovações tecnológicas que impactam a área da saúde, com impacto positivo nos resultados e na qualidade de vida”, concluiu a enfermeira, através da apresentação de casos práticos.

Por último, a professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo, Kamila Rios, juntou-se em direto, a partir do Brasil, com dados que reforçam o impacto positivo de intervenções não farmacológicas como jogos digitais terapêuticos, desta feita na população oncológica pediátrica.