A inovação na abordagem da pessoa com cancro de mama é o fio condutor dos três projetos que foram apresentados na Sessão Educacional III, moderada pelas enfermeiras Joaquina Rosado (ULS Elvas) e Sara Jácome (ULS Alto Minho).
É também a marca do anticorpo-fármaco conjugado trastuzumab deruxtecano (T-DXd), cerne do projeto educacional T-DXd 2023, nursHER: sharing is caring, uma parceria entre a AEOP e a AstraZeneca/Daiichi Sankyo, apresentada em Espinho pelo enfermeiro Jorge Freitas.
Este é um projeto que visa a partilha de experiências a nível nacional e consiste na formação com foco na eficácia, segurança e manuseio das toxicidades do T-DXd em doentes com cancro de mama. Tem ainda como objetivo a criação de um Documento de Consenso na Gestão de Toxicidades/Guideline Nacional sobre o perfil de gestão de AE´s ADC´s (TDxd), cuja publicação está prevista para o final de 2023.
Por sua vez, Anabela Amarelo, enfermeira do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, partilhou os resultados de um programa de adesão à terapêutica oral antineoplásica, que contou com o apoio da Novartis.
A palestrante começou por salientar as vantagens da medicação oral no contexto do tratamento oncológico. Desde logo, a autonomia, na medida em que permite que as pessoas sob tratamento oncológico administrem os seus próprios tratamentos na privacidade das suas casas, diminuindo a necessidade de vindas ao hospital. Mas também a preferência do doente – relacionada principalmente com a conveniência da administração, bem como com a redução percebida na interferência na vida quotidiana – e a perceção da eficácia, uma vez que para o doente, a preferência pode dever-se a um aumento na eficácia percebida e à toxicidade reduzida percebida desse método.
“Parece-nos que a existência de uma consulta de adesão realizada por uma equipa preparada e vocacionada com disponibilidade para acompanhar os doentes e as suas necessidades pode justificar também o sucesso da adesão ao tratamento oral”, referiu a enfermeira, a propósito dos resultados da sua consulta.
Como desafios e oportunidades da adesão ao tratamento oral, Anabela Amarelo destacou o facto de este ser autoadministrado pelo doente em ambientes não supervisionados. “Embora os doentes desempenhem um papel central para aderir ao tratamento, o ônus de otimizar a adesão recai sobre as partes interessadas nos cuidados de saúde. O objetivo é desenvolver um sistema de suporte para envolver os doentes na adesão ao tratamento. Nisto, a especialização de uma equipa dedicada a este programa desempenha um papel crucial”, apontou.
Segundo a palestrante, “os enfermeiros devem saber sobre os medicamentos orais, incluindo uso, dose, efeitos secundários, restrições ou interações com dieta e outras medicações, já que a equipa de enfermagem pode ser fulcral no desenvolvimento de mecanismos que ajudarão na adesão do doente, segurança e educação”.
Importa também que “esta seja uma área de estudo e investigada por diferentes profissionais, nomeadamente quanto a estratégias para melhorar a adesão ao tratamento”, concluiu.
“Qual a influência da Enfermagem de Reabilitação na funcionalidade do membro superior da mulher mastectomizada?” foi a questão que serviu de mote ao trabalho cujos resultados a enfermeira Jessica Capitão (ULS Alto Minho) apresentou na AEOP16, que este ano tem como lema “Inovação e Excelência dos cuidados para melhores Resultados”. Nesta apresentação dedicada à reabilitação pós-cirurgia, foi focado o papel primordial da enfermagem no acompanhamento orientado e personalizado destes doentes, com a enfermeira a partilhar o feedback de uma das suas doentes: “O facto de ser acompanhada, numa fase pós-cirurgia, ajuda a doente a sentir-se mais confiante e a enfrentar o problema, de uma forma mais calma. Foi bom sentir que estava a ser acompanhada e que se tivesse alguma dúvida, podia entrar em contacto com a enfermeira. Este apoio torna-se fundamental para qualquer doente que esteja a enfrentar problemas de saúde, por essa razão considero importante que este tipo de trabalho realizado, neste caso, pela enfermeira Jéssica continue e seja implementado em grande escala”.