Simpósio Janssen: Experiência e gestão do tratamento com teclistamab no mieloma múltiplo em recaída e/ou refratário

Liliana Barbosa, enfermeira do Hospital de São João (Porto), foi a Espinho partilhar a experiência da sua instituição no tratamento com teclistamab de doentes com mieloma múltiplo em recaída e/ou refratário.

A enfermeira começou por abordar o conceito deste fármaco inovador – um anticorpo bi-específico –, explicitando a sua indicação terapêutica, mecanismo de ação, resultados de eficácia e segurança (do estudo MajesTEC-1), esquema posológico conforme RCM (fase de step-up e fase de manutenção) e medicação pré-tratamento (corticoide, anti-histamínico e antipirético 1 a 3 horas antes).

“No São João, as doses de escalonamento de teclistamab são sempre realizadas em internamento e a pré-medicação é sempre administrada por via endovenosa e cumprimos os tempos ‘à risca’. Até agora ainda não foram registadas reações adversas”, explicou Liliana Barbosa, acrescentando algumas recomendações neste contexto:

– Não são recomendadas reduções de dose de teclistamab;

– É necessário haver pelo menos uma unidade de tocilizumab no serviço;

– Podem ser necessários atrasos nas doses para gerir as toxicidades relacionadas com teclistamab;

– no caso de sinais ou sintomas de síndrome de libertação de citocinas, o doente ou cuidador deve procurar ajuda imediata.

É na prevenção das complicações que o enfermeiro assume um papel central na intervenção, através do ensino, instrução e treino dos doentes e cuidadores/familiares para a gestão do regime terapêutico e plano de intervenção, mas também da antecipação das situações de agudização da pessoa por identificação atempada.

É também tarefa do enfermeiro fomentar estratégias de autocuidado para minimizar fatores de stress relacionados com a dependência crescente e identificar fatores de risco e situações problemáticas, associadas a exaustão física e emocional nos intervenientes no processo de cuidar. É ainda competência do enfermeiro, neste contexto, adaptar e ajustar as expetativas da pessoa e da família face à evolução da doença.

Segundo Liliana Barbosa, os doentes que recebem teclistamab verbalizam a melhoria dos sintomas, “o que mostra que este fármaco traz qualidade de vida aos nossos doentes”.