Rash acneiforme, paroníquia, radiodermite e mucosite são as principais toxicidades cutâneas decorrentes do tratamento com inibidores de EGFR.
No simpósio promovido pela Merck – moderado pela enfermeira Ema Alves, do Hospital de Braga – a enfermeira Carla Ventura, da START Lisboa, partilhou estratégias para uma melhor prevenção e gestão destas reações adversas.
De acordo com Carla Ventura, “antes de iniciar o tratamento com inibidores de EGFR deve ser feita uma avaliação rigorosa do doente no que diz respeito a condições cutâneas pré-existentes (psoríase, acne, rosácea, entre outros) e problemas orais que podem agravar com a exposição aos fármacos”.
Há um conjunto de cuidados básicos a ter com a pele para prevenir ou reduzir a gravidade das erupções cutâneas acneiformes. A saber:
– Utilizar emolientes sem álcool e sem perfume para a hidratação geral da pele (cremes ou loções);
– Utilizar protetores solares de amplo espetro (UVA, UVB) antes de sair de casa e com fator de proteção ≥ 25;
– Evitar apertar as pústulas de acne;
– Evitar a exposição excessiva ao sol;
– Não utilizar roupas nem sapatos apertados ou tecidos sintéticos/irritantes;
– Evitar água excessivamente quente optando, preferencialmente, por água morna;
– Não friccionar a pele com força;
– Se possível não barbear;
– Evitar o contacto com substâncias agressivas: solventes (acetona, álcool), detergentes ou agentes de polimento.
A gestão eficaz do rash, avançou Carla Ventura, é crucial para manter a qualidade de vida do doente e promover a adesão terapêutica. “A avaliação das erupções cutâneas deve ser feita com recurso a ferramentas apropriadas”, acrescentou.
Ainda a este respeito, a enfermeira salientou que “a literatura e os dados clínicos mais recentes defendem que o tratamento profilático está recomendado para o tratamento bem-sucedido das alterações cutâneas acneiformes associadas aos anti-EGFR”. Isto porque, o tratamento reativo das erupções cutâneas apresenta algumas limitações.
A palestrante apresentou as recomendações para interrupção, ajuste de dose ou descontinuação do tratamento com anti-EGFR na gestão das reações cutâneas:
– Nas reações cutâneas de grau ≥ 3, o tratamento com anti-EGFR deve ser interrompido e apenas retomado quando o evento adverso for resolvido para grau ≤ 2;
– O tratamento pode ser retomado sem ajuste de dose apenas para reações iniciais; para reações cutâneas graves subsequentes, o tratamento com anti-EGFR deve ser novamente interrompido. No caso do cetuximab, o tratamento deve ser retomado em 200mg/m2 (80%, 2.ª ocorrência) e 150mg/m2 (60%, 3.ª ocorrência), quando resolvido para grau ≤ 2. No caso do panitumumab, o tratamento deve ser retomado com 80% da dose original (2.ª ocorrência) e 60% da dose (3.ª ocorrência), quando resolvido para grau ≤ 2;
– O tratamento deve ser descontinuado na 4.ª ocorrência ou se as reações não forem resolvidas para grau 2.