Os diretores de Enfermagem dos três Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) foram convidados a debater questões como a valorização das competências dos enfermeiros oncologistas, o benchmarking de boas práticas clínicas entre instituições e o investimento em inovação como fonte de motivação das equipas.
Na sessão, moderada pelos enfermeiros Jorge Freitas (IPO do Porto) e Sandra Ponte (CHLO), a assistência também foi chamada a participar, através da plataforma slido.com, partilhando as suas ideias inovadoras sobre como melhorar as práticas clínicas.
No que respeita à valorização de competências em Enfermagem Oncológica, Sérgio Gomes, do IPO de Lisboa, defendeu que “neste momento, a enfermagem tem condições para avançar com a especialidade de Oncologia”. Já Fernando Monteiro, do IPO do Porto, concorda que “devem haver competências acrescidas aos enfermeiros que trabalham em Oncologia, mas temos que ter noção do impacto da criação de mais uma especialidade em Enfermagem”. Por sua vez, Dora Neves, do IPO de Coimbra, destacou o facto de os enfermeiros dos IPO terem “ferramentas muito poderosas”, como a comunicação e a empatia, “mas que têm que ser trabalhadas de forma estruturada”.
Sobre o benchmarking de boas práticas, a enfermeira salientou que este é um bom instrumento de comparação com vista à melhoria que, no âmbito das instituições de saúde, faz mais sentido que seja implementado internamente. Neste sentido, para os três IPO, Dora Neves propõe um benchmarking cooperativo, reconhecendo que a implementação deste conceito não é fácil. Uma ideia partilhada por Fernando Monteiro, que reconhece “dúvidas não de concetualização, mas de concretização”.
Já Sérgio Gomes disse querer acreditar “que os três IPO vão ser capazes de encontrar os espaços e investigação necessários para fazer benchmarking”.
No plano da motivação dos profissionais, Dora Neves lembrou a importância do reconhecimento e do “salário emocional”, sublinhando que “enquanto profissionais precisamos de sentir que não somos mais um na instituição, mas que somos um”. E rematou: “Acredito que quaisquer que sejam os desafios que nos surgirem, se as decisões forem tomadas com foco naquilo que é a essência do que fazemos, serão seguramente boas decisões”.
Por sua vez, os enfermeiros Sérgio Gomes e Fernando Monteiro defenderam a relevância de “se criarem condições para que os enfermeiros tenham as suas expetativas apoiadas por nós, direções/gestores”, assim como de “se desenvolverem dinâmicas que levem a que os colegas se possam sentir envolvidos, criando projetos de formação e de investigação, seja nas componentes mais tecnológica ou mais relacional da prática.
Da parte da assistência, surgiram sugestões tão diversas como: candidaturas a fundos europeus, envolvimento em projetos institucionais, carreira interna de acesso à formação mediante a participação em projetos, figura do provedor dos IPO, fomento da investigação na área oncológica, importância dada à reabilitação, construção de redes de apoio na comunidade, contabilização das horas de participação em investigação, entre outras.