Simpósio Gilead: Importância da equipa multidisciplinar na gestão de doentes tratados com sacituzumab govitecano

A gestão dos doentes tratados com sacituzumab govitecano esteve em destaque no simpósio promovido pela Gilead.

Alexandra Mesquita, médica oncologista do Hospital Pedro Hispano descreveu o cancro da mama triplo negativo como um cancro agressivo de mau prognóstico, com elevada taxa de recorrência e metástases em orgãos viscerais. De acordo com a especialista, “o elevado grau de heterogenicidade da doença impõe desafios terapêuticos, pois ao contribuir para a agressividade da doença, complica o desenvolvimento de terapias-alvo”.

Assim, são várias as necessidades não satisfeitas nesta população de doentes, em que a resistência à quimioterapia é comum, apresentam um mau prognóstico apesar da resposta inicial, os agentes-alvo (como os PARP), beneficiam apenas uma parte dos doentes e o benefício varia consoante a expressão de PD-L1.

Assim sendo, o sacituzumab govitecano constitui uma esperança para estes doentes, no que toca a eficácia (nomeadamente sobrevivência global) e segurança, conforme demonstram os resultados do estudo ASCENT, partilhados na AEOP16 pela médica.

Sacituzumab govitecano está indicado em monoterapia para o tratamento de doentes adultos com cancro da mama triplo-negativo irressecável ou metastático que receberam duas ou mais linhas terapêuticas sistémicas anteriores, incluindo, pelo menos uma delas para doença avançada. A dose recomendada, lembrou Laura Ribeiro, enfermeira do Hospital de Dia do Hospital Pedro Hispano, é de 10mg/kg de peso corporal administrado por perfusão intravenosa D1 e D8 de cada ciclo com intervalo de 21 dias.

No estudo ASCENT foi ainda possível avaliar a qualidade de vida relacionada com saúde de sacituzumab govitecano versus QT, tendo-se apurado que o primeiro resultou em melhorias clinicamente e/ou estatisticamente significativas nos cinco domínios primários de QVRS: estado de saúde global/qualidade de vida, desempenho físico, atividades de vida diária, fadiga e dor.

Diarreia, náuseas e vómitos, neutropenia, fadiga, alopecia são as principais reações adversas decorrentes do tratamento com sacituzumab govitecano, cuja gestão pode ser assegurada pela equipa de enfermagem, salientou Laura Ribeiro.

De acordo com Alexandra Mesquita, “o sacituzumab govitecano não deve ser administrado em caso de náuseas de grau 3 ou vómitos de grau 3-4 no momento do tratamento agendado, devendo o tratamento ser continuado apenas com medidas de suporte adicionais quando estes estiverem resolvidos para Grau ≤ 1; também poderão ser utilizados antieméticos adicionais e outras medidas de suporte conforme clinicamente indicado”. Segundo a médica oncologista, “todos os doentes devem receber medicamentos para administrar em casa com instruções claras para prevenção e tratamento de náuseas e vómitos”.

No que diz respeito à diarreia, “sacituzumab govitecano não deve ser administrado em caso de diarreia de grau 3-4 no momento do tratamento agendado, devendo o tratamento ser continuado apenas quando esta estiver resolvida para grau ≤ 1”, explicou, acrescentando que “o início da diarreia, e se nenhuma causa infeciosa puder ser identificada, deve ser iniciado tratamento com loperamida; também poderão ser utilizadas medidas de suporte adicionais (p. ex. reposição de fluidos e eletrólitos) conforme clinicamente indicado”.

A especialista esclareceu, ainda, que “os doentes que exibam uma resposta colinérgica excessiva ao tratamento com sacituzumab govitecano (p. ex. espasmos abdominais, diarreia, salivação…) podem receber tratamento apropriado (p. ex. atropina) para os tratamentos subsequentes com sacituzumab govitecano” e apontou que foi observada colite neutropénica em <1% (1/366) dos doentes no ASCENT.