Simpósio Mc Medical: Inovação na prevenção e tratamento de radiodermites

Elisabete Soares, enfermeira do IPO do Porto, foi a palestrante do simpósio promovido pela Mc Medical na AEOP16, dedicado ao tema da gestão das radiodermites.

A radiodermite que me arrisco é uma das toxicidades agudas mais comuns da radioterapia (surge em cerca de 85-87% dos doentes). “É comum, especialmente quando tratamos áreas de tratamento relativamente superficiais, como é o caso da mama, das neoplasias da pele, dos tumores da cabeça e pescoço, dos sarcomas, entre outros”, explicou a enfermeira, acrescentando que “é também lógico pensar que, quanto mais superficial a área de tratamento, maior probabilidade existe de surgir uma radiodermite importante, enquanto se irradiarmos, por exemplo, o pulmão, vamos ter, caso surja, um eritema discreto na área correspondente ao campo de tratamento”.

Apesar de tudo, prosseguiu Elisabete Soares, “a radiodermite segue um curso temporal previsível”, explicando em que consiste esta complicação: “Em termos celulares, o que acontece é que são induzidos danos sub-letais ao DNA das células da epiderme, nomeadamente às da camada basal que têm o potencial de regenerar as camadas superiores, sendo a taxa de destruição superior à taxa de repopulação”. Em simultâneo, avançou, “dá-se a ativação de uma cascata de citocinas pró-inflamatórias que são responsáveis por muitos dos efeitos agudos e tardios; o dano celular ocorre quando a taxa de repopulação da camada basal não consegue acompanhar a taxa de destruição celular”.

É preciso perceber que “a resposta inflamatória ativada é uma reação fisiológica normal à radioterapia e que o dano tecidular induzido pela radioterapia é observado 10 a 14 dias após a primeira fração de RTE, correspondendo ao tempo que as células basais lesionadas demoram a migrar até à superfície da pele”.

Inicialmente a pele fica quente e ruborizada (eritema) e alguns doentes poderão apresentar prurido, adiantou a enfermeira, explicando que “no sentido de tentar substituir as células lesionadas pela contínua exposição à RTE, estas aumentam a sua atividade mitótica”. No entanto, “se as novas células se reproduzirem a um ritmo mais rápido relativamente à eliminação da camada superior de células lesadas, então, a pele fica seca e descamativa (descamação seca)”, acrescentou.

Neste contexto, Elisabete Soares destacou o Flamigel como um produto/formulação especial e distinto de todas as outras apresentações mais recentes disponíveis no mercado. Isto porque, apontou, “Flamigel faz parte de uma nova geração de produtos que se apresentam como híbridos e que, além de prevenir a radiodermite, também são regeneradores, ou seja , são usados numa fase inicial de TT de RT em que a pele se apresenta integra (RG0), mantendo-se a sua aplicação quando há perda de integridade cutânea e quando a radiodermite evolui para RG1 e G2 pelas lesões sofridas pela radiação ionizante (eritema, inflamação e descamação seca)”.

Entre as vantagens oferecidas pelo Flamigel, são de salientar, de acordo com a palestrante, “o facto de ser um agente facilitador na capacitação do doente, apresentar boa relação custo/benefício, ser prático e de manipulação fácil, flexível, cómodo e permitir uma maior adesão ao regime terapêutico.

A componente enzima alginogel é responsável pelo desbridamento contínuo, atividade antimicrobiana, cicatrização em ambiente húmido e proteção bordos não citotóxico, caraterísticas que fazem acrescer ao rol de vantagens a cicatrização num curto espaço de tempo, redução do risco de interrupção do tratamento, administração em regime ambulatório, grande impacto na qualidade de vida do doente e ganhos em saúde.

Vantagens estas corroboradas pelo testemunho de Manuel Teles, um doente com cancro do pescoço, tratado no IPO do Porto, que terminou radioterapia há duas semanas e que neste simpósio partilhou a sua experiência com Flamigel, que descreve como “quase milagrosa”, tendo aproveitado a ocasião para agradecer à equipa de enfermagem que o tem acompanhado ao longo do seu processo de doença oncológica.